Retrofit de Residência no Humaitá

Prêmio IAB - 2017 - Instituto dos Arquitetos do Brasil - Retrofit de Residência - Sustentabilidade - Patrimônio Cultural

55a Premiação IAB - Instituto dos Arquitetos do Brasil - Rio de Janeiro - Menção Honrosa

Processo construtivo da escada metálica com degraus em madeira reciclada, oriunda dos barrotes que compunham o antigo sistema construtivo da casa.

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Ficha técnica​

Localização: Humaitá, Rio de Janeiro, Brasil

Equipe de Projeto: Ricardo Vergara, Rafael Hanzelmann, Everton Jubini, Ana Lima, Anneliese Fuchshuber, Matias Baumann

Construção: 2014 / 2015

Área de Projeto: 361,94 m²

Fotos: André Nazareth

O projeto é uma intervenção em uma residência preservada dentro da APAC Humaitá (Àrea de Proteção do Ambiente Cultural do Humaitá) pelo Órgão de Patrimônio Cultural da Cidade do Rio de Janeiro - Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). Isto significa que a volumetria e fachadas originais da residência devem ser mantidas e conservadas para que a ambiência do bairro seja preservada.

A residência foi construída na década de 1920 e apresenta algumas características simplificadas do estilo neo-normando (telhados com inclinação acentuada e marcações do tipo enxaimel nas fachadas)

 

Na fase de levantamento percebemos que a fachada de fundos já estava completamente descaracterizada por conta de intervenções realizadas no passado. Percebemos aí uma grande oportunidade de criar soluções que conferissem à casa maior grau de iluminação natural, ventilação e conexões entre espaços internos e espaços externos.

A partir desta percepção partimos para uma proposta que cria um contraste nítido entre o antigo e o novo. 

As fachadas frontal e lateral, ambas voltadas para a rua, foram completamente restauradas de acordo com o projeto original da casa. A fachada de fundos foi completamente renovada dentro de uma proposta contemporânea onde a volumetria original é mantida e reforçada pelo pórtico executado com placas cimentíceas.

 

Nas primeiras entrevistas com os clientes percebemos que os espaços internos originais da residência não poderiam comportar todo programa demandado de forma adequada.  Como havia esta limitação em relação à volumetria original, concluímos que a melhor solução para resolver a falta de espaço seria redividir os níveis da residência de forma a criar um 3º pavimento antes inexistente. Este novo pavimento que ocupa a área do antigo madeiramento do telhado se transformou em um sótão que abriga o quarto de um dos filhos do casal.  Todo o telhado teve que ser removido, o madeiramento antigo foi substituído por estrutura metálica, as telhas originais foram separadas, lavadas e reinstaladas.

Como resultado desta decisão de redivisão dos níveis, todas as alvenarias internas e assoalhos foram demolidos. O novo sistema estrutural adotado é constituído de lajes pré fabricadas apoiadas em perfis metálicos engastados em parte nas alvenarias externas. Desta forma, chegamos a um sistema estrutural misto, onde as paredes originais em tijolo maciço continuam exercendo sua função portante. 

Originalmente a planta baixa da casa apresentava disposição de ambientes bastante fragmentada e o pátio dos fundos tinha uma função de área de serviço.

Partimos do conceito de que o pátio deveria ter uma função social, articuladora dos espaços e que pudesse garantir as condições de iluminação natural e ventilação da residência. 

O primeiro pavimento abriga os ambientes sociais (sala, copa/cozinha,churrasqueira) e são plenamente integrados e articulados ao pátio dos fundos. A sala faz a articulação entre a varanda frontal de acesso e o pátio dos fundos. A parede junto a mesa de jantar foi descascada e pintada posteriormente, conferindo a ela esta textura singular.

No 2º pavimento foram dispostos a suite master, que está voltada para a rua e o quarto de um dos dois filhos do casal, que está voltado para o pátio dos fundos com vista para o telhado verde localizado na laje de cobertura da churrasqueira .  A suiter master apresenta as janelas originais das fachadas restaturas. O quarto do filho apresenta um escritório anexo que está integrado à escada por uma generosa esquadria de alumínio e vidro.

O terceiro pavimento comporta o quarto do segundo filho. O guarda roupas foi projetado como um grande painel que contem também a porta de acesso ao banheiro.

 

 

Soluções Sustentáveis

O antigo madeiramento que sustentava o assoalho original foi reciclado se transformando nos degraus da escada que interliga os pavimentos. Este processo se deu a partir do cuidado com os recursos materiais que seriam descartados na fase de demolição, do trabalho artesanal e do pensamento criativo promovido no canteiro de obras. (Ver Diagrama de Reciclagem - Escada e fotos da demolição e execução)

Os tijolos maciços demolidos foram separados e reaproveitados na execução de paredes de vedação que estão em posição de destaque junto à escada e no sótão. (Foto da escada e escritório)

Foi criado um telhado verde na laje de cobertura da churrasqueira. Este jardim confere maior conforto térmico para a área da churrasqueira e para o pátio.

A residência foi dotada de sistema de captação de água da chuva e aquecimento da água através de painéis solares. (Ver Diagrama de Captação da Água da Chuva e Aquecimento Solar )

As janelas e portas originais foram completamente restauradas. As várias camadas de tinta foram raspadas a partir de processos manuais revelando a madeira antes recoberta. (ver fotos da execução)

A tinta utilizada nas fachadas restauradas são da marca Solum e não apresentam componentes químicos nocivos ao meio ambiente. ("Os revestimentos Solum são produzidos a partir de minerais naturais, pigmentos extraídos de jazidas certificadas, livre de COV’S, em seu processo de transformação em revestimento não há emissões tóxicas. Trata-se de um produto ecológico e sustentável" - fonte: http://www.tintasolum.com.br)

 

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